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Deep Plane Facelift: cirurgia de Kris Jenner não é para sempre, nem para todo mundo

Especialista explica que o lifting facial exige indicação criteriosa e não substitui os cuidados contínuos com a pele

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Matriarca do clã Kardashian-Jenner virou "garota-propaganda" do Deep Plane Reprodução/Instagram @krisjenner

Desde que o resultado surpreendente do “novo rosto da matriarca do clã Kardashian-Jenner, Kris Jenner,” tomou conta das redes sociais em 2025, as novas tecnologias associadas ao rejuvenescimento facial seguem em alta.

Entre elas, o Deep Plane Facelift, técnica apontada como responsável pelo efeito na empresária, passou a despertar o interesse de pacientes que buscam um rosto mais jovem sem perder a naturalidade.


Para a cirurgiã plástica Dra. Maiéve Corralo, no entanto, a popularização do procedimento também trouxe um efeito colateral: o aumento da procura por uma cirurgia sofisticada que nem sempre é a mais indicada.

O que é o Deep Plane Facelift?

Diferentemente do lifting facial convencional, o Deep Plane Facelift atua em uma camada mais profunda da face, reposicionando não apenas a pele, mas também o sistema músculo-aponeurótico superficial (SMAS), estrutura responsável pela sustentação dos tecidos faciais.


Essa abordagem permite reposicionar músculos e tecidos de forma mais ampla, favorecendo um resultado mais natural em pacientes com indicação para a técnica.

“O Deep Plane é um descolamento dos tecidos da face em um plano mais profundo, na altura em que se encontram os nervos faciais. É uma cirurgia que oferece excelentes resultados quando bem indicada, principalmente para pacientes com uma face mais pesada e volumosa, que necessitam de um reposicionamento mais intenso dos tecidos. No entanto, também apresenta riscos maiores de lesão do nervo facial, podendo causar assimetrias ou até paralisia facial, temporária ou permanente”, explica.


Segundo a especialista, justamente por atuar em uma região próxima aos nervos responsáveis pelos movimentos da face, o procedimento exige amplo conhecimento da anatomia facial e grande experiência técnica.

Nem todo paciente precisa da técnica

Embora tenha ganhado popularidade nas redes sociais, o procedimento está longe de ser uma solução universal.


“Existe uma preocupação com a superindicação do Deep Plane. Nem todo paciente precisa desse tipo de descolamento mais profundo, e a escolha da técnica deve ser individualizada.”

A anatomia facial é um dos fatores que determinam a indicação da cirurgia. Pacientes com faces mais pesadas costumam se beneficiar mais da técnica, enquanto pessoas com rostos mais finos podem não apresentar tecido suficiente para que o procedimento entregue os resultados esperados.

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“Em faces mais magras, muitas vezes não há volume suficiente para realizar a tração do sistema músculo-aponeurótico da face e o resultado pode acabar ficando abaixo do esperado”, explica.

Quais são os riscos?

Dra. Maiéve explica que existe uma preocupação com o aumento do número de procedimentos realizados e, consequentemente, das complicações relacionadas a indicações inadequadas. Embora raro, o maior risco seria a lesão permanente dos nervos faciais.

Na prática clínica, a especialista afirma optar com frequência por abordagens que associam segurança e tecnologia, como a videoendoscopia.

O recurso amplia as estruturas anatômicas durante a cirurgia, permitindo visualizar vasos e nervos com muito mais precisão e reduzindo significativamente o risco de lesões permanentes quando comparado ao Deep Plane clássico.

Ela ressalta, porém, que pequenas assimetrias temporárias ainda podem acontecer devido à manipulação dos tecidos durante o procedimento, principalmente em pacientes idosos, com deficiência de vitamina B12 ou histórico de paralisia facial prévia.

Nesses casos, a recuperação costuma ser mais favorável do que em lesões ocorridas em regiões mais baixas da face.

A cirurgia não interrompe o envelhecimento

Outro ponto que costuma gerar dúvidas é a durabilidade dos resultados. Segundo a especialista, o lifting facial reposiciona os tecidos, mas não interrompe o relógio biológico nem substitui os cuidados contínuos com a pele.

“O grande equívoco na expectativa dos resultados de um face lift é sobre o relógio biológico. Infelizmente, a degradação do colágeno não para e, quanto maior a idade do paciente, mais rápida costuma ser essa perda de qualidade da pele”, conta.

Segundo a médica, há perda de colágeno, elastina e ácido hialurônico, além da absorção de gordura e da estrutura óssea. “Então, para a pergunta mais frequente nos consultórios: não, a cirurgia não substitui os tratamentos para qualidade da pele.”

Maiéve afirma que procedimentos como laser de CO₂, ultrassom microfocado, radiofrequência, toxina botulínica, bioestimuladores, biorregeneradores à base de ácido hialurônico e produtos regenerativos precisam continuar sendo aplicados com maior frequência, mesmo após o lifting.

Na avaliação da médica, a cirurgia faz parte de um plano global de rejuvenescimento e seus resultados tendem a ser mais duradouros quando associados a tratamentos voltados para a qualidade da pele.

O novo objetivo é parecer descansado, não diferente

Mais do que acompanhar tendências, Dra. Maiéve observa uma mudança no perfil dos pacientes. Se antes o objetivo era transformar completamente a aparência, hoje a maior parte das pessoas busca apenas um aspecto mais descansado e saudável.

“A maioria dos pacientes procura um refresh. Eles querem envelhecer de forma bonita, saudável e natural, sem exageros. O objetivo deixou de ser mudar o rosto e passou a ser preservar a identidade”, conta.

A busca por resultados mais naturais também explica o crescimento de procedimentos menos invasivos. O mini lifting facial, por exemplo, permite reposicionar os tecidos e remover o excesso de pele com uma recuperação mais rápida, menor risco de hematomas e menor chance de lesão dos nervos faciais.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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